Iluminas

Programa de Lideranças - Liderança consciente e inteligência relacional na gestão de equipes

Em 24.06.2026

A apresentação “Inteligência Relacional: a competência essencial da Liderança Consciente” foi feita por Andreia Rego, mentora de comunicação, desenvolvimento pessoal e liderança. Servidora pública federal, com atuação anterior em gestão estratégica, governança, gestão de riscos e gestão de pessoas, além de ter participado da estruturação do TRF6 como primeira Diretora de Gestão de Pessoas do Tribunal.

Ela apresentou a Inteligência Relacional como uma competência central da liderança contemporânea, especialmente no contexto do Judiciário, marcado por sobrecarga cognitiva, transformação digital, pressão por IA, equipes multigeracionais e metas crescentes de produtividade. A ideia principal é que resultados sustentáveis nascem da qualidade das relações construídas no ambiente de trabalho.

A apresentação defende uma mudança de paradigma: sair de uma liderança baseada em comando, controle, cobrança e poder formal para uma liderança baseada em influência, confiança, responsabilização, perguntas e autoridade relacional. Também aborda temas como silêncio organizacional, comunicação não violenta, segurança psicológica, feedback humanizado, escuta ativa, gestão de conflitos e desenvolvimento de pessoas.


Principais ideias apresentadas

A palestrante afirma que equipes não adoecem apenas pelo excesso de trabalho, mas também pela forma como as relações acontecem. O material associa falhas relacionais a riscos como exaustão emocional, conflitos silenciosos, absenteísmo, afastamentos e quiet quitting.

Um ponto forte da apresentação é a reflexão sobre o silêncio nas equipes. No Judiciário, o silêncio pode ser visto como respeito e ordem, mas, na gestão, pode esconder medo, ausência de voz e falta de segurança psicológica. A apresentação resume essa ideia ao afirmar que, quando a equipe apenas “balança a cabeça”, o líder pode não ter alinhamento real, mas apenas ausência de discordância explícita.

A apresentação também propõe quatro pilares da liderança consciente:

  1. Autoconsciência: perceber gatilhos emocionais, vieses e impacto sobre as pessoas.
  2. Consciência relacional: entender que liderar é influenciar pessoas dentro de relações.
  3. Consciência sistêmica: perceber que decisões afetam clima, engajamento e desempenho.
  4. Consciência de propósito: conectar acervo, metas e rotinas ao valor maior da Justiça para a sociedade.

3 questionamentos principais para o líder fazer

1. O silêncio da minha equipe representa alinhamento real ou medo de se manifestar?

Esse é um dos questionamentos mais relevantes da apresentação. O líder precisa distinguir o silêncio saudável, ligado à organização e respeito, do silêncio perigoso, que nasce do medo, da intimidação ou da percepção de que discordar tem custo emocional alto.

Uma boa pergunta prática seria:

As pessoas da minha equipe se sentem seguras para apontar erros, pedir ajuda, discordar e propor melhorias?


2. A minha comunicação fortalece confiança ou aumenta defesa, medo e distanciamento?

A apresentação valoriza a Comunicação Não Violenta e o feedback humanizado. O líder deve observar se sua forma de comunicar parte de julgamentos, como “você foi desatento”, ou de fatos observáveis, como “houve um erro no parágrafo X”.

Pergunta prática:

Quando dou feedback, eu construo ponte para melhoria ou produzo sentença sobre a pessoa?

Esse questionamento é especialmente útil em contextos de pressão, como erros em minutas, prazos apertados e metas de produtividade.


3. Que tipo de legado humano estou deixando na minha equipe?

A apresentação amplia a noção de liderança para além da entrega de metas. O legado do líder inclui a saúde emocional da equipe, o desenvolvimento de novas lideranças e a sensação de propósito no trabalho.

Pergunta central:

Depois de trabalhar comigo, as pessoas saem mais desenvolvidas, mais confiantes e mais conscientes do propósito do trabalho ou apenas mais exaustas?


Síntese

A mensagem principal da apresentação é que liderar não é apenas distribuir tarefas, cobrar metas ou controlar processos. Liderar exige construir relações capazes de sustentar confiança, segurança psicológica, comunicação clara e desenvolvimento humano. No contexto do Judiciário, isso significa humanizar a Justiça de dentro para fora: cuidar das relações internas para que a entrega institucional à sociedade seja melhor, mais saudável e mais sustentável.