Programa de Lideranças - Roda de conversa: desafios, experiências e estratégias na liderança de pessoas
Em 24.06.2026
A apresentação “Liderando pessoas quando o chão muda: desafios, experiências e estratégias na liderança de pessoas” foi feita por Angélica da Costa Pereira, Subsecretária de Cadastro e Pagamento de Pessoal do TRF6.
Ela apresentou uma reflexão prática sobre liderança em contextos de mudança, usando como pano de fundo a criação do TRF6, a formação de novas equipes, novos processos, pessoas vindas de diferentes órgãos e culturas institucionais distintas. A apresentação também menciona a Modernização do 1º Grau, que exigiu reaprendizado, redistribuição de pessoas, adaptação da capital e impactos no interior.
A mensagem central é que as pessoas não resistem exatamente à mudança; elas resistem às perdas percebidas no processo de mudar. Por isso, liderar em momentos de transição exige mais do que explicar a nova estrutura: exige acolher inseguranças, reduzir incertezas, dar clareza, envolver as pessoas e construir confiança ao longo do caminho.
Principais ideias apresentadas
A apresentação destaca que, enquanto a administração pode enxergar uma mudança como nova estrutura, novos processos, novas oportunidades e reorganização, as pessoas podem vivê-la como insegurança, medo, incerteza e perda de referências.
Entre os aprendizados trazidos pela palestrante, aparecem pontos importantes:
- pessoas vivem a mesma mudança de formas diferentes;
- silêncio nem sempre significa concordância;
- as pessoas precisam sentir que não estão sozinhas;
- liderar também é acolher;
- é necessário enxergar oportunidades mesmo em meio às crises.
Ela também resume cinco lições de liderança em tempos de mudança:
- as pessoas se engajam quando compreendem o propósito da mudança;
- mudanças são aceitas mais rapidamente quando há participação na construção;
- clareza reduz ansiedade;
- pequenas vitórias fortalecem a confiança;
- a mudança começa na liderança antes de chegar à equipe.
3 questionamentos principais para o líder fazer
1. Que perdas reais ou percebidas minha equipe está vivendo com esta mudança?
Essa é a pergunta mais importante da apresentação. O líder não deve olhar apenas para o desenho formal da mudança, mas para o que as pessoas sentem que estão perdendo: referências, segurança, autonomia, status, domínio técnico, vínculos ou previsibilidade.
Uma boa formulação seria:
O que minha equipe sente que perdeu ou teme perder nesta transição?
2. Minha equipe compreende o propósito da mudança ou apenas recebeu ordens e novas tarefas?
A apresentação reforça que o engajamento depende da compreensão do propósito. Quando a equipe só recebe comandos, cronogramas e novas rotinas, a mudança tende a ser percebida como imposição. Quando entende o sentido, aumenta a chance de adesão.
Pergunta prática:
Eu expliquei suficientemente o porquê da mudança, ou apenas cobrei adaptação?
3. Como posso envolver, acolher e dar clareza à equipe durante a transição?
A liderança precisa combinar direção com escuta. Isso significa comunicar melhor, abrir espaço para dúvidas, reconhecer dificuldades, criar pequenas vitórias e mostrar que a equipe não está atravessando a mudança sozinha.
Pergunta central:
Que ações concretas posso tomar agora para reduzir ansiedade, aumentar participação e construir confiança?
Síntese
A apresentação mostra que liderar em tempos de mudança não é apenas reorganizar estruturas ou redesenhar processos. É conduzir pessoas por um período de perdas, incertezas e reaprendizado. O líder precisa dar sentido, escutar, acolher, criar clareza e transformar a mudança em uma travessia coletiva, não em uma imposição solitária.